“Rogério Marinho e Fábio Faria estão disputando quem agrada mais o bolsonarismo e, para isso, precisam mentir”, critica Mineiro

As declarações do ministro do Desenvolvimento Regional Rogério Marinho a uma rádio de Apodi na sexta-feira (26) sobre os repasses federais enviados ao Rio Grande do Norte para o combate à pandemia, o que equivaleriam à instalação de 4,5 mil leitos de UTI no Estado, não ficaram sem resposta.

O coordenador do programa Pacto pela Vida Fernando Mineiro criticou a postura de Marinho e do colega dele Fábio Faria (ministro das Comunicações), lembrando que os dois vêm travando uma disputa por um lugar no coração de Jair Bolsonaro e também do bolsonarismo. A briga, na avaliação do petista, é pelo apoio do presidente da República à candidatura ao Senado Federal em 2022. No próximo ano, só uma vaga estará em disputa no Rio Grande do Norte.

– Rogério Marinho e Fábio Faria estão disputando um gincana interna pra ver quem mais agrada o chefe para ser candidato a senador pelo bolsonarismo. E para isso precisam mentir. Querem disputar para ver quem é o 05. E têm que agradar do 00 (Jair Bolsonaro) até o 04 (o filho mais novo, Renan Bolsonaro). Por mim eles podem continuar com esse tipo de disputa, agora só não prejudiquem o povo. Não alimentem o ódio. Que se resolvam para lá”, criticou.

Sobre os recursos federais enviados pelo governo federal para o Rio Grande do Norte, Mineiro destacou que as transferências que chegaram até o momento são repasses constitucionais – que viriam independente de quem fosse o presidente da República – e recursos do “orçamento de guerra”, aprovado pelo Congresso Nacional para auxiliar os estados e municípios no combate à pandemia.

Pelas contas do Governo do Estado, o valor global dos repasses levando em consideração os recursos SUS e as transferências para o combate à Covid-19 foi, em 2020, de aproximadamente R$ 600 milhões.

“Rogério Marinho mistura alhos com bugalhos pra confundir, o que faz jus ao papel e à história dele no Rio Grande do Norte. Agora RM pode enganar os outros lá fora, aqui no Estado ele já é bastante conhecido. O que o Governo Federal enviou foram obrigações constitucionais que já viriam para o Estado, independente se fosse Bolsonaro ou Lula. E além dessas obrigações, há recursos fruto do orçamento de guerra aprovado pelo Congresso Nacional, com critérios objetivos de repasse que estão sendo transferidos para todos os Estados, e não apenas para cá. A prestação de contas, as auditorias que são feitas por órgãos do próprio Governo Federal, como a Controladoria-geral da União, colocam o RN num alto grau de transparência no uso e aplicação de recursos no combate a covid”, explicou, antes de completar:

– O Governo Federal arrecadou 296,45 bilhões nos dois primeiros meses de 2021. Se eu fosse usar o raciocínios dos bolsonaristas poderia dizer que estados e municípios enviaram esses recursos para o governo federal, porque a arrecadação é feita localmente”, comparou.

Sobre os 4,5 mil leitos que Marinho disse que seria possível comprar com os recursos federais enviados para o Estado, o petista ironizou reforçando que as transferências vieram por rubricas fixas:

– Quantas doses de vacinas ele, como ministro, conseguiu para o povo do Rio Grande do Norte ? E pergunto também: quantos leitos de UTI dariam pra comprar com os recursos que ele arranjou para enfrentar a pandemia ? Mas sei da resposta: Não daria pra comprar nenhum porque ele não trouxe nenhum recurso extra pra enfrentar a pandemia no RN”, afirmou.

Fernando Mineiro chama a atenção para a própria diferença nos números de recursos transferidos para o Estado divulgados pelos dois ministros. No início de março, Fábio Faria declarou que o Governo Federal já havia enviado mais de R$ 18 bilhões para o Rio Grande do Norte enquanto Rogério Marinho disse ontem que o montante repassado era de R$ 812 milhões sem carimbo e R$ 145 milhões para gastos com saúde e assistência social:

“Nem eles se entendem, um diz um número, o outro diz outro. Eu quero que eles me digam qual foi o recurso que o Governo Federal enviou para o enfrentamento à pandemia sem ter saído das obrigações constitucionais e do orçamento de guerra aprovado pelo Congresso. Se Rogério Marinho me disser eu serei o primeiro a reconhecer. Aliás, se RM e FF quiserem fazer um debate ao vivo sobre os recursos repassados ao Estado, estamos às ordens. Só arranjar um mediador isento ou uma mediadora isenta, topamos”, desafiou.

O petista lamentou ter que ficar rebatendo mentiras divulgadas por ministros de Estado. E voltou a pedir que tanto Marinho como Faria apresentem à população quanto cada um conseguiu de repasse voluntário para o Estado:

– Os dois, por serem da cozinha do presidente, ajudariam o povo do nosso Estado se se unissem para trazer recursos pra enfrentar a pandemia. Quanto cada um deles conseguiu de repasse voluntário, que não fosse fosse por obrigação legal ? Essa disputa seria boa para o povo se fosse pra ver qual deles mais ajudava a salvar vidas. Mas não é. E a gente que está na trincheira, tentando resolver os problemas, precisa parar o que está fazendo para responder essa fake news. Agora mesmo eu estou acompanhando as ações de cumprimento do decreto nos municípios, tentando administrar os conflitos legítimos e tenho que parar para repor a verdade”, disse, antes de renovar um pedido de união:

– Faço um apelo a RM e a FF: usem a influência que têm com a família Bolsonaro e os ajude ouvir as dores das 300 mil família que perderam seus entes queridos. Ajudem a não aumentar o sofrimento do povo brasileiro. As eleições ainda serão no ano que vem”, encerrou.

Agência Saiba Mais

Deixe uma resposta

Open chat