Dia: 2 de fevereiro de 2021

Em 1ª decisão, Lira rebaixa PT, favorece aliados e tira tucanos e Rede do comando da Câmara

Apesar do discurso inicial conciliatório e de respeito a todas as forças políticas que o deputado Arthur Lira (PP-AL) adotou na noite desta segunda-feira (1º) assim que foi eleito à presidência da Câmara, seu primeiro ato no posto exclui praticamente todos os adversários de cargos do comando da Casa, trocando-os por aliados.

Além do cargo de presidente, a cúpula da Câmara é formada por outros seis postos —1ª e 2ª vices-presidências, 1ª, 2ª, 3ª e 4ª secretarias. Esse colegiado de sete deputados é responsável por todas as decisões administrativas da Câmara e também por algumas políticas, como o encaminhamento de representações contra deputados.

Em sua decisão, Lira adotou entendimento que, se mantido, rebaixa o PT do terceiro posto mais importante, a primeira-secretaria, para o último, a quarta-secretaria. Já PSDB e Rede, que também integravam bloco adversário a Lira, perdem os postos a que teriam direito (segunda e quarta secretarias). “Primeiro ato de Arthur Lira foi dar um golpe na oposição para mandar na Mesa da Câmara. Violência contra a democracia. Mostrou que será um ditador a serviço de Bolsonaro”, escreveu em suas redes sociais a presidente do PT, Gleisi Hoffmann.

A retirada de adversários em prol de partidos aliados se deu porque Lira indeferiu o registro de candidatura do bloco adversário, de Baleia Rossi (MDB-SP), sob alegação de que o PT perdeu por seis minutos o prazo estipulado para registrar no sistema seu apoio a Baleia. O PT contesta, afirmando que deficiência no sistema o impediu de cumprir o prazo.

Os seis cargos da Mesa são distribuídos de acordo com o tamanho de cada bloco. Sem o PT, o bloco de Baleia só terá direito à última vaga. O de Lira, às cinco primeiras —que devem ser distribuídas a partidos de seu bloco, formado majoritariamente pelo centrão.

Partidos da oposição e outros políticos prometem recorrer nesta terça-feira (2) ao STF (Supremo Tribunal Federal). A possibilidade de judicialização foi discutida em reunião na presidência do MDB, no início desta madrugada. “Nós não aceitamos esse ato. Os partidos irão, conjuntamente, ao Supremo Tribunal Federal”, disse o líder do PSB na Câmara, Alessandro Molon (RJ), após o encontro dos deputados.

Segundo ele, os partidos que apoiaram a candidatura de Baleia Rossi ficaram sobressaltados com o ato “autoritário, antirregimental e ilegal” de Lira. “Se continuar neste caminho, [Lira] comprometerá a governabilidade da Casa e perderá qualquer condição de presidir esta Casa”, disse.

Líder do MDB, Isnaldo Bulhões (AL) afirmou que Lira fez um discurso exaltando a voz do Parlamento e, “em um ato autoritário”, anulou um bloco parlamentar e parte de uma eleição que foi acordada e discutida pelo colégio de líderes. “Isso é inadmissível.”

Após a confirmação da vitória, Lira fez um primeiro discurso pregando conciliação com adversários na disputa, mas com indiretas ao agora ex-presidente da Casa Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O deputado do PP disse que iniciava a presidência com humildade e prometeu absoluta dedicação ao cargo. “Estou aqui de pé ao lado desta cadeira do presidente ainda vazia, fazendo esse discurso de pé em homenagem a todos os partidos dos que votaram e os que não votaram em mim”, disse. “Prometo respeitar como presidente as forças vivas desta Casa Legislativa.”

Lira afirmou que não se confunde com a cadeira de presidente e que jamais irá se confundir. “Sou um deputado igual a todos, não sou nem serei a cadeira que irei ocupar”, disse.

Ao longo da campanha, Lira acusou Maia de personalizar a presidência da Câmara. No discurso, o novo presidente da Câmara pediu um minuto de silêncio às vítimas de Covid-19 no país e defendeu a democracia como uma construção política. “A Câmara é e sempre foi a espinha dorsal do regime democrático.”

Lira afirmou que o presidente deve ter neutralidade no cargo e olhar para todos os lados do plenário. “A arquitetura desta Casa é clara. Tudo aqui deve ser coletivo, a direção deve ser coletiva”, ressaltou o novo presidente, que destacou que os Poderes devem atuar com harmonia sem abrir mão da independência. Ele disse ainda que não cabe ao presidente estabelecer as prioridades dos projetos, e sim aos deputados e à sociedade. “Tenho opiniões, mas, como presidente da Câmara, minha opinião deve refletir a dos demais.”

O novo presidente também fez um aceno ao rival derrotado Baleia, a quem chamou de amigo talentoso e líder habilidoso, e afirmou que, encerrada a disputa, todos voltam a ser representantes do povo brasileiro. Também fez elogios a Maia, sobre quem disse ter discordâncias, mas também pontos em comum.

FOLHAPRESS

Maia chora, agradece a deputados e se despede da presidência da Câmara

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chorou no discurso de despedida da presidência da Câmara e disse que não teve a intenção de ofender ninguém no processo eleitoral. Defendeu que “as brigas passaram”.

A fala foi imediatamente antes de o deputado declarar aberta a votação para presidente da Casa e para os outros cargos da Mesa. Se a disputa for resolvida no 1º turno, Maia passa o poder para o eleito imediatamente. Se houver 2º turno, comandará mais uma rodada de votação. “As brigas passaram. Vamos eleger um novo presidente. Tivemos um momento de mais atrito, no meu caso, com a candidatura do deputado Arthur Lira. A ele, e àqueles que o apoiam, se em algum momento se sentiram ofendidos pelo que falei, não foi minha intenção”, disse Maia.

Ele apoia Baleia Rossi (MDB-SP), principal adversário de Arthur Lira (PP-AL) no páreo. Lira é o favorito na eleição. Maia fez as principais críticas ao governo, que apoia Lira, e ao candidato do PP.

Rodrigo Maia está no cargo desde 2016. Chegou ao poder depois da queda de Eduardo Cunha (MDB-RJ). “Foram 4 anos e 7 meses em que tive a oportunidade de conhecer melhor o meu país através de cada um de vocês [deputados]. Através de diálogos, de visitas que fiz de alguns de vocês”, disse Rodrigo Maia.

Ele considerou como um bom momento da gestão a aprovação da PEC (proposta de emenda à Constituição) do Orçamento de Guerra. Trata-se do dispositivo que criou uma conta separada para o governo lançar as despesas do combate à pandemia. “Eu nunca tinha conseguido colocar nesse painel do PSL ao Psol”, referindo-se ao consenso alcançado em torno da proposta. “Quero do fundo do meu coração agradecer a cada um de vocês essa oportunidade [de presidir a Câmara], que é única” .

“Eu lembro que ficava ali na Constituição, aqui ficava o meu pai, Mário Covas, Ulysses Guimarães, José Serra, Delfim Netto, nós tínhamos orgulho do Parlamento Brasileiro.”, declarou o deputado, que é filho de Cezar Maia.

Desde a promulgação da Constituição de 1988, Rodrigo Maia é o deputado que ficou mais tempo seguido no cargo. Michel Temer (MDB) foi presidente da Câmara por mais tempo, mas teve mandatos em períodos distintos.

PODER360

Onyx Lorenzioni deve deixar Cidadania, mas seguirá ministro após a reforma

Na reforma prevista para este mês, após as eleições na Câmara e no Senado, o presidente Jair Bolsonaro tem uma certeza: Onyx Lorenzoni deixará o Ministério da Cidadania, mas seguirá em sua equipe de primeiro escalão, em pasta a ser definida.

Deputado pelo DEM-RS, Onyx foi o primeiro apoio relevante a Bolsonaro em 2018, e a amizade se consolidou até que o presidente virou seu padrinho de casamento. O presidente não quer abrir mão de Onyx no seu ministério. A informação é da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder.

O Ministério da Cidadania será desdobrado, mas continuará cuidando de programa sociais como Bolsa Família ou o sucedâneo Renda Brasil.

As secretarias de Cultura e Esporte, vinculados à pasta de Lorenzoni, voltarão ao status de ministérios e estarão na mesa de negociações.

Bolsonaro tem dificuldade de encaixar Davi Alcolumbre no ministério. A menos que seu sucessor, Rodrigo Pacheco, faça muita questão disso.

Se pedir sugestão a Arthur Lira para pasta do Esporte, Bolsonaro ouvirá a resposta “deputada Celina Leão”, ex-secretária no governo do DF.

DIÁRIO DO PODER

Open chat