Artigo Ney Lopes: “A triste partida de um Amigo”

Ney Lopes – Jornalista, advogado e ex-deputado federal – nl@neylopes.com.br

Perdi um amigo, o jornalista Paulo Macedo. Partiu de repente.

Mais uma vítima do vírus implacável e desconhecido. Tem razão Romain Rolland, o francês Nobel de Literatura, ao dizer, que “a vida não é triste. Tem horas tristes”. E completou: “o herói é o homem que faz o que pode”.

Todos os seus amigos e admiradores foram surpreendidos. Paulo era figura humana ímpar. Humano, cultivava as amizades e fazia o que podia. Semeava a conciliação. Jamais ouvi dele depoimentos ofensivos a terceiros.

O seu lema era não falar mal de ninguém. Se não elogiava, silenciava. Nunca desejou ser o “juiz do mundo”, transformando o jornalismo em instrumento de vindita, ou malquerenças.

Cearense, chegou ao RN nos anos 50. Descoberto pelo prefeito de Natal Djalma Maranhão trabalhou no jornal “Folha da Tarde”. Em seguida, ingressou no colunismo social, na Rádio Nordeste e passou por quase todos órgãos de comunicação do estado.

Graduou-se em jornalismo (1966). Publicou livros. Era membro da Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Uma de suas paixões era o turismo, tendo sido um dos primeiros secretários de Turismo de Natal. Pedro Simões, meu saudoso colega da “turma da Liberdade” (1967), lembrado pela jornalista Hilneth Correia, bem definiu Paulo Macedo ao escrever que ele era “original Mestre de Obras, dedicado à construção da reputação e da glória alheias”.

Recordo, com emoção, quando retornei a Natal, em 1976, cassado pela Revolução, por força da perseguição das lideranças políticas locais, sem direito de defesa e sem responder a qualquer processo.

Destemido, Paulo Macedo me prestou total solidariedade. Sempre registrava a injustiça que sofrera. Por tais razões, homenageio a sua triste partida, lembrando Bertolt Brechet, que escreveu: “Existem homens que lutam um dia e são bons; existem outros que lutam um ano e são melhores; existem aqueles que lutam muitos anos e são muito bons. Porém, existem os que lutam toda a vida. Estes são os imprescindíveis”. Rogo a Deus, que o receba na Eternidade, com todas as honras que verdadeiramente merece, pela honradez como sempre viveu”

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