TERRA ARASSADA E CONTAGEM DE CORPOS NO DIA SEGUINTE: A VIDA TEM QUE SEGUIR

Do meu ninho, começo a me preocupar com as consequências dessa pandemia causada pelo Covid-19. Não por achar que seria uma “gripezinha”, mas meu pequeno cérebro não calculou tanto prejuízo social como se projeta, além de tantas vidas que foram precocemente interrompidas.

Apesar dos pesares, no tocante ao Rio Grande do Norte, estamos bem. Eu explico: No dia 7 de abril, a Secretaria Estadual de Saúde (SESAP) projetava para 15/05, algo em torno de 11,3 mil mortes. Considerando o boletim atualizado, temos 2.786 casos confirmados, com 122 mortes e 8.438 casos suspeitos. Se até amanhã todos os casos suspeitos se confirmarem, ainda assim não teremos o número de mortes projetadas pela Secretaria de Estado. Para que a projeção se concretize, teriam que morrer quase 386 pessoas por hora. Aprimorando a lupa, é o mesmo que 6 pessoas por minuto falecerem, somente pelo Covid-19. Irracional pensar que isso vá acontecer, aliás, que vá se materializar em certidões de óbitos até a meia noite de amanhã.

Essa projeção pode revelar duas coisas: Ou o Secretário foi e está muito mal assessorado ou ele queria, pelo medo, convencer de que era preciso realmente ficar em casa. Quero não acreditar em nenhuma das duas possibilidades. A infeliz projeção, se confirmada, representaria um verdadeiro armagedon papa-jerimum ou um apocalipse bíblico em terras potiguares.

Esse breve relato foi necessário para, devidamente contextualizado, informar que, acredite se quiser, há que fale em lockdown aqui no RN. É mole??!!

O termo lockdown remete ao confinamento, sendo uma medida de restrição à circulação de pessoas nas ruas. Nesse modelo, os cidadãos e cidadãs só podem sair de suas casas para realizarem atividades essenciais (ida a farmácias e supermercados).

O vírus, que causa estragos do RN ao RS, devidamente apresentado em Wuhan na China, já mostrou a que veio. É letal, não discrimina e não distingue classe social, gênero ou raça.

Todavia, a humanidade sobreviveu à primeira guerra mundial, juntou os pedaços e se reconstruiu após a segunda guerra mundial, achou os caminhos e se recuperou após seríssimas e devastadoras crises econômicas. Não será um vírus ou “o vírus” que vai nos derrotar.

Quando isso acabar, e vai acabar, milhares de vidas serão saudosamente lembradas, milhões de empregos terão sido dizimados, centenas de milhões de pessoas estarão na miséria. Um cenário inimaginável para 2020, até mesmo para o habitante mais pessimista desse planeta. Independentemente de qualquer coisa, o dia seguinte virá, mas não podemos nos amedrontar. Vamos ter que conviver com o inimigo invisível. Nossa vida, as relações de trabalho e interpessoais não serão mais as mesmas. E daí? Se for para melhor, que venha!

O que não precisamos é de terrorismo, de medidas restritivas sem o mínimo embasamento técnico ou científico, sem achismos ou adivinhação.

Seja no RN ou no mundo, vamos ter que sair de casa um dia, e precisa ser logo, pois o discurso do “fique em casa” só é eficaz com comida na mesa e, de preferência, com a Carteira de Trabalho assinada.

Como não tenho casa, para mim vale a máxima: fique no ninho!

Inté.

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