“Racionalização é a palavra-chave”, diz secretário sobre a gestão estadual da Saúde

Na manhã desta quarta-feira, 9, o secretário estadual da Saúde, Cipriano Maia, concedeu entrevista ao Bom Dia RN, da Intertv Cabugi, na qual apresentou os principais desafios do início da gestão. Para o secretário, diante das dificuldades financeiras vivenciadas pelo Estado, a “racionalização é a palavra-chave”.

Cipriano enfatizou o papel da gestão estadual dentro do Sistema Único de Saúde (SUS). “Temos uma situação de crise crônica no SUS há muitos anos que se agudizaram pela falta de uma gestão que dê conta das responsabilidades da Secretaria como um todo e do SUS como um todo: Estados, municípios e União. O papel da Secretaria é conduzir o sistema, apoiar os municípios. Não podemos pensar o sistema de saúde sem uma participação efetiva dos municípios. Estamos encontrando a Secretaria numa crise profunda, assistencial, com cirurgias e exames não realizados, agravada pela escassez de recursos, seja de transferências federais, incluindo a emenda que congelou os gastos públicos por 20 anos, que vai refletir na Saúde, e a crise fiscal do Estado, que todos nós conhecemos, o que levou o governo a receber folhas de pagamento em atraso.”

Diante do cenário atual, a gestão da Saúde será pautada na racionalização dos recursos existentes e na criação de parcerias com outras instituições. “Nosso desafio é fazer mais com menos. Mobilizando os profissionais em torno do seu compromisso ético e profissional para que a gente possa potencializar a utilização dos recursos existentes, fortalecer parcerias com os municípios, com as universidades e outras instituições da sociedade para que a gente possa dar conta desse papel de melhorar a atenção à Saúde”.

Além das parcerias e do uso racional dos recursos existentes, uma das principais metas de gestão é a criação de policlínicas de saúde nas regiões do Estado, em parceria com os municípios. A proposta seria a criação de consórcios públicos em cada uma das oito Regiões de Saúde do Rio Grande do Norte, reunindo recursos próprios do Estado, recursos federais que são destinados ao Estado e aos municípios naquela Região, e recursos próprios do município. As policlínicas ofertariam serviços ambulatoriais especiais, como consultas e exames. “Nós pretendemos estruturar essas policlínicas e nossa referência é o Estado do Ceará, onde elas funcionam muito bem, gerenciadas por consórcio e com regulação, sendo a atenção básica uma ordenadora do cuidado”, explicou. O secretário explicou que o consórcio também teria o papel de fazer uma gestão mais eficiente dos hospitais regionais. “Nós pretendemos que os hospitais regionais atuem em interação com os municípios e resolvam a maioria dos problemas onde eles se encontram. Para isso precisamos que eles tenham pessoal, gestão profissionalizada”.

O secretário reconheceu os desafios a serem enfrentados, mas enfatizou a importância da gestão profissionalizada e comprometida com os recursos públicos. “Numa situação de crise e escassez de recursos isso não é tão fácil, por isso que a racionalização é a palavra-chave, assim como a parceria com as outras instituições que ofertam serviços e uma melhor gestão dos contratos com os prestadores privados, com resposta mais efetiva através de um contrato que seja cumprido com qualidade para atenção ao usuário”.

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