Dia: 5 de outubro de 2018

Justiça Eleitoral do RN espera concluir apuração dos votos até as 22h de domingo

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) estima que a apuração dos votos no primeiro turno das eleições deste ano deve ser concluída até as 22h do próximo domingo, 7. A votação acontece das 8h às 17h em todo o Estado, e o voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas que têm entre 18 e 70 anos.

De acordo com o secretário de Tecnologia da Informação do TRE-RN, Marcos Maia, o processo de totalização dos votos será mais rápido no pleito deste ano por causa da instalação de 176 pontos de transmissão dos resultados. A partir desses locais, os dados das urnas serão encaminhados para Natal, onde fica a central de apuração.

Segundo Marcos Maia, a instalação dos pontos de transmissão foi uma forma encontrada pelo TRE-RN para compensar o provável atraso no encerramento da votação, já que o eleitor deverá votar em seis candidatos este ano (deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente – nesta ordem).

“Será uma eleição de seis telas. Então, temos o tempo para o eleitor ser habilitado pelo mesário, o tempo em que o eleitor passa na cabina e o tempo de um eleitor para o outro. Em algumas seções, a votação deve terminar perto das 19h”, disse o secretário, em entrevista à 94 FM nesta quinta-feira, 4.

Apesar da projeção de atraso, o secretário de TI da Justiça Eleitoral informa que o eleitor deve se dirigir a sua seção até as 17h. “Apenas os que estiverem na fila até 17h poderão votar. Neste horário, são distribuídas fichas”, conta Marcos, que sugere que os eleitores levem uma “cola”, com os números dos seus candidatos. “Facilita e agiliza muito a votação”.

Em quase 96% dos municípios potiguares, a habilitação dos eleitores para votar será por meio da identificação biométrica. Esse processo, conta Marcos, também pode atrasar a votação, já que a biometria de alguns eleitores pode não ser reconhecida. O secretário de TI do TRE-RN estima em 10% a quantidade de falhas na captação das digitais.

“A biometria pode não ser reconhecida em idosos ou em eleitores que exercem atividades profissionais que desgastam a digital. Apesar disso, eles podem votar normalmente. A diferença é que eles serão identificados pelo método tradicional. Por isso, é importante levar documento oficial com foto [ou o aplicativo e-título, que pode ser baixado para smartphones]. Este eleitor vai assinar na folha de votação, e a ocorrência será registrada em ata pelo mesário”, conta Marcos Maia, acrescentando que, antes disso, deverão ser realizados quatro testes para reconhecimento da biometria.

O eleitor terá à disposição três opções de sistemas para acompanhar a apuração dos votos em tempo real: os aplicativos “Resultados” (disponível para smarphones) e “Divulga” (disponível para desktops ou notebooks) e o site “DivulgaWeb”. “Todos os sistemas são sincronizados ao mesmo tempo. Chegando os dados no TRE, nós fazemos a totalização e disponibilizamos o resultado em até 5 minutos para as plataformas”, finaliza Marcos Maia.

Agora RN

No último debate, os sem-voto tentam despolarizar eleição marcada pelo ódio

Surgiu no último debate presidencial do primeiro turno um novo agrupamento político: o MSV, Movimento dos Sem Voto. Convertidos pelo eleitorado em coadjuvantes da corrida presidencial, Ciro Gomes, Geraldo Alckmin, Marina Silva, Henrique Meirelles e Alvaro Dias se uniram num esforço para tentar despolarizar a sucessão. Tarde demais. Horas antes, a mais recente pesquisa do Datafolha reforçara a tendência de definição da disputa num mano a mano de segundo turno entre Jair Messias Bolsonaro e Fernando ‘Lula’ Haddad.

Lula e Bolsonaro, embora pairassem como espectros sobre os estúdios da Globo, não estavam presentes. O primeiro continua preso, em Curitiba. O segundo, beneficiado pelo álibi de um atestado médico, trocou o lufa-lufa do debate global por uma entrevista-companheira no telejornal da Record, emissora ligada ao autoproclamado bispo Edir Macedo, seu apoiador. Marina ofereceu aos espectadores desavisados a oportunidade de acionar o controle remoto. Bolsonaro “amarelou” e está dando entrevista à Record, ela avisou.

Quem mudou de canal teve a oportunidade de assistir ao empenho de Bolsonaro para se manter no topo do ranking das opções anti-PT. Os médicos do Albert Einstein proibiram Bolsonaro de debater na Globo porque ele mal conseguiria falar por dez minutos. Na Record, o paciente tagarelou por 25 minutos. A cenografia incluiu três intervenções de um enfermeiro.

O PT “mergulhou o Brasil na mais profunda crise ética, moral e econômica”, ele atacou. Na campanha, prosseguiu Bolsonaro, “tudo é conduzido de dentro da cadeia pelo senhor Lula, que indica aí um fantoche seu chamado Haddad, que por incompetência sequer conseguiu passar para o segundo turno de sua reeleição em São Paulo.”

Noutro instante, Ciro ecoou Marina, queixando-se da fuga de Bolsonaro para a Record. Mas a atração já havia mudado no canal concorrente. O risco àquela altura não era mais o de direcionar eleitores para Bolsonaro, mas de perder audiência para ‘A Fazenda’, uma espécie de versão rural do Big Brother.

As críticas à polarização ecoaram durante todo o debate da Globo —da pergunta inaugural às manifestações finais. Sorteado para fazer a primeira indagação, Ciro escolheu inquirir Marina. Levantou a bola para que a ex-colega de governo Lula desancasse o duelo Bolsonaro X Haddad. “Se essa guerra permanecer”, disse ela, “o Brasil vai ficar quatro anos em situação de completa instabilidade”. E Ciro: “O que está em jogo aqui não é paixão partidária ou ódio. Sou ficha limpa e tenho projeto.O Brasil precisa construir um novo caminho”.

O ataque coletivo dos sem-voto aos dois extremos da polarização, especialmente a Bolsonaro, chegaram com pelo menos cinco anos de atraso. Deve-se a ascensão do capitão à falência do sistema político. A sociedade sinalizara sua impaciência ao ocupar o asfalto na célebre jornada de junho de 2013. O retrovisor mostra que os coadjuvantes de 2018 não entenderam o ronco do asfalto.

Ciro continuou massageando Lula. Aderiu à tese petista de que a condenação por corrupção e lavagem de dinheiro foi motivada por perseguição política. Alckmin enferrujou junto com o tucanato paulista. A inação do PSDB diante do mergulho de Aécio Neves na lama agravou a oxidação que levou Bolsonaro a ocupar o posto de anti-PT. Marina tomou chá de sumiço depois da derrota de 2014. Logo ela, que fora a grande vítima da polarização tucano-petista da sucessão passada. Difícil reverter a menos de 72 horas da eleição um sentimento de ódio e desalento que foi construído ao longo de cinco anos de reações equívocadas.

JOSIAS DE SOUZA