Artigo Ney Lopes: Insegurança do “novo ensino médio” brasileiro

O “novo ensino médio” começa no Brasil.

Uma reforma muito controvertida.

Nessa nova proposta, apenas se mostram obrigatórias como componentes curriculares, a língua portuguesa e a matemática, durante os três anos do ensino médio.

Para a língua inglesa, apesar de compor a estrutura curricular, não foi estabelecida nenhuma carga horária específica.

Os conteúdos de geografia, história, sociologia, filosofia, biologia, física, química ainda não definidos, e a obrigatoriedade desses componentes curriculares está incerta.

Ou seja, eles devem ser trabalhados, mas seu caráter disciplinar não está garantido.

A flexibilização de conteúdos não ocorrerá.

Simplesmente antecipa-se a idade de escolha do aluno para definir qual a área do conhecimento em que ele se especializará.

Justamente por isso, a maturidade do aluno para realizar essa escolha também é um dos pontos questionados pelos educadores.

Em outros países a flexibilização é definida pelo aluno, ele é quem define quais disciplinas farão parte do seu currículo.

Ele pode cursar disciplinas de áreas distintas.

No Brasil isso não foi proposto

O aluno cursará o que for disponibilizado na sua localidade, ou terá que ir morar em alguma outra região do estado que contemple o itinerário formativo de sua escolha.

Outro ponto analisado é que o sistema de ensino privado utilizará as alterações da reforma para promover cada vez mais sua diferenciação entre seus concorrentes e incrementar a concorrência para alcançar maior número de alunos matriculados.

Regra geral é provável que sejam ofertadas mais disciplinas do que se já oferece, com o único intuito de atração maior de alunos.

Um debate sem fim, esse da educação pública e privada, num país com tantas desigualdades sócio econômicas como Brasil.

O grande risco é a educação transformar-se em mero item do mercado, sujeito às leis da oferta e da procura.

Isso ocorrendo seria o caos.

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